Difícil falar do amor Ele fugidio, abstraído, confuso, Um nome dado a um sentimento, Sintomático da Silva, Dos sobrenomes todos da vida. E quem é ele, um vulto Na multidão dos tristes, Na reunião dos rebelados, Rompidos a sangue e fogo, Com suas práticas sentenciadas. Difícil dirigir-se a ele, Pairar sobre as montanhas, Às vezes ir muito além, E gritar por qualquer nome, Até que se manifeste, o nefasto, A má obra, peça inacabada. E como se anunciarão seus dentes, O seu semblante como se verá, Algo deplorável, compassivo à dor. Desconfiável, improvável que assim se mostre. Deve vir como uma presa astuta, Pulando de galho em galho, irritadiço, Fazendo caras e bocas, brincando à toa, Fazendo loas, cambalhotadas, De nada ouvindo, tudo calando, O amor vem dando visões de barcos, Em pleno mar, que ora aparecem, Logo se escondem por trás das ondas, Em descompasso, com os olhos turvos Que sobem e descem desesperados.
1 comentario:
AMOR
Difícil falar do amor
Ele fugidio, abstraído, confuso,
Um nome dado a um sentimento,
Sintomático da Silva,
Dos sobrenomes todos da vida.
E quem é ele, um vulto
Na multidão dos tristes,
Na reunião dos rebelados,
Rompidos a sangue e fogo,
Com suas práticas sentenciadas.
Difícil dirigir-se a ele,
Pairar sobre as montanhas,
Às vezes ir muito além,
E gritar por qualquer nome,
Até que se manifeste, o nefasto,
A má obra, peça inacabada.
E como se anunciarão seus dentes,
O seu semblante como se verá,
Algo deplorável, compassivo à dor.
Desconfiável, improvável que assim se mostre.
Deve vir como uma presa astuta,
Pulando de galho em galho, irritadiço,
Fazendo caras e bocas, brincando à toa,
Fazendo loas, cambalhotadas,
De nada ouvindo, tudo calando,
O amor vem dando visões de barcos,
Em pleno mar, que ora aparecem,
Logo se escondem por trás das ondas,
Em descompasso, com os olhos turvos
Que sobem e descem desesperados.
Um beijo
Naeno
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